O significado da Vitória de José Serra

Sempre pontuei, em minha vida off-blogsfera, uma jornada de luta pautada em diálogo, tolerância, e liberdade de escolha. Não concebo nenhuma forma de atividade política que não seja a contruída pelos parâmetros da Democracia, ou, como dizem nas escolinhas de direito, do Estado Democrático de Direito.

Pois bem. Em plena consciência politica e social, acompanho uma disputa presidencial como jamais havia vislumbrado em meus assumidos 32 outonos. E me deparo com uma situação triste.

E não é a tristeza diante da possibilidade da vitória da Direita, do candidato da Direita. Sei da pauta bandeirola erguida pela Direita. Sei que sua vitória representaria uma retrocesso tremendo. Os pobres voltando ao status anterior: mais pobres. Enfim, seria o preço a ser pago. Levando-se em consideração escolhas do povo, a soberania do povo, sim, essa é uma possibilidade.

Nessa hipótese, vitória da Direita ensejaria derrota da Esquerda, o trancamento dos princípios mais humanos, daqueles que se efetivam através da Fraternidade – do olhar de irmãos para irmãs – passando anos-luz dos ideais de Solidariedade – que para mim, com todo respeito, sempre tiveram o cheiro da esmola que se dá ao indigente social, a mão que alimenta o pobre faminto, mas que o mantém faminto, pois assim a “generosidade” diária está garantida, concomitantemente à quitação do financiamento do terreno no céu.

Mas ainda assim, seria Democracia.

Infelizmente, o que vejo, com minhas lentes naturalmente parciais, de uma mulher de esquerda, feminista, tricoteira e cozinheira, é o que me causa tristeza maior.

A vitória de José Serra possibilita um significado ainda maior:

* Vitória da Mentira, da Calúnia, da Difamação, praticada descaramente por Serra e seus aliados, familiares, amigos, amantes, papagaios, taturanas e afins.

* Vitória da Campanha LIXO, PODRE, da parte de José Serra sim, que sabe nem telhado de vidro tem, mas que se presta apenas  a atacar não a política Dilma Roussef, mas a mulher Dilma Roussef.

* Vitória do Fundamentalismo cego pleonástico, que objetiva perpetuar preconceito, legitimar o status pobre do qual não devem sair os pobres, pondo mais crucifixos nos órgãos públicos, mais igreja nas questões de Estado. Fim do Estado Laico, bem vindo Fundamentalismo Foie Gras.

* Vitória mais deprimente de todas: a Vitória do Machismo, que dissecou a primeira candidata MULHER – com chances de se tornar a Primeira Presidenta do Brasil – e transformou em pária da classe feminina, que não quis ser objeto decorativo, tampouco quis se limitar a função da mulher na política, a de Primeira Dama.

Sim, a vitória de José Serra traria consigo toda a batelada escrota do Machismo, que se ocupa tão bem em julgar a vida sexual da mulher, que a julga e condena por não vestir A ou B – e que enfiem C no espaço. Machismo que tem sido construido com uma força assustadora, nesse momento, por homens e mulheres, através da falta de argumentação, amparada nas mentiras, boatos e difamações.

Dilma não mata criancinha.
Dilma não vai acabar com União Estável.

Mas na hora do vale-tudo de quem não tem argumento, vale o grito da violência. Violência contra a Dignidade e a Verdade de uma candidata Mulher. E toda essa campanha imunda do José Serra contra Dilma Rousseff comprova que ele não tem argumento próprio nenhum.  Nem telhado de vidro tem, afinal, se levarmos em consideração o know-how em metrôs e pontes de São Paulo, melhor para ele ter coisa alguma sobre a cabeça.

(…)

Campanha presidencial de José Serra: campanha suja, imunda, pautada na violência, na agressão, nas mentiras ganhando destaque.

Vitória de José Serra significa a vitória do vale-tudo: não tenho propostas, então destruo VOCÊ, para que, nivelados por baixo, ainda possa eu usar de meios para destruir (isso me lembra a história do vaso de barro…)

Vitória de José Serra pode significar qualquer coisa, menos Democracia.

E isso tudo tem me cansado. Acho que é hora de puxar a campainha do ônibus dessa Vida e pedir para descer.

4 pensamentos sobre “O significado da Vitória de José Serra

  1. Parabéns pelo post, uma avaliação ponderada e clara. Também ando cansada. Uma querida blogueira escreveu esta semana que a campanha atual não é pra quem tem estômago fraco. Eu achava que não tinha. Estou repensando. Mas vou continuar tentando, fazendo a minha parte. Por exemplo, divulgando seu post. Bjs

  2. PS. Gostaria de além de linkar seu post nas minhas redes sociais, transcrevê-lo – com os créditos, claro – no meu blog em que reúno textos, imagens, vídeos que admiro. Posso?

  3. As duas campanhas têm sido ridículas. Ambos os candidatos foram picaretas e desonestos.

    De um lado, uma mulher não-religiosa de esquerda travestida de defensora da Tradição, Família e Propriedade e boa católica devota à Nossa Senhora. Além disso, faz uma crítica fácil às privatizações, demonizando-as sem qualquer argumentação verdadeiramente lógica e econômica. Isso sem contar que conta com o apoio do presidente licenciado de facto do cargo, e cuja campanha não cansa de usar argumentos desonestos, tais como acusar o adversário de defender o que ele não diz defender ou insinuar que ele poderia largar o cargo antes do fim do mandato (?!). E, ah, o próprio partido se aliou, fez, manteve e defendeu diversas coisas das quais sempre discordou (evitar investigações, corrupção, CPMF, algumas medidas benéficas do governo anterior etc.)

    Do outro, um candidato que defendia equilíbrio nos gastos públicos e que, vendo a derrota iminente, simplesmente disparou promessas ridículas. Um candidato que também apela para diversas coisas desonestas, e que inclusive já largou um cargo tendo antes prometido que não faze-lo-ia (mas, é óbvio, isso não aconteceria na presidência). Um partido que renega o seu próprio passado e que apenas contribui para a demonização das privatizações, as quais, em muitos casos, são medidas defensáveis e até saudáveis.

    E claro, impossível não perceber a superficialidade dos programas de governo e a esterilidade dos debates.

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