quase ficção n. 1

 

Fazia tempo aquele garoto era parte importante nos sonhos dela… faziam parte do mesmo grupo de teatro… ela, tímida, silenciosa… ele, cabeludo, irreverente…

Ela sonhava que se perderia naqueles cabelos cheios de cachos e loucos movimentos… mas tudo não passaria de um devaneio qualquer de rapariga enamorada, coisa que ela sempre fora, desde todo sempre…

Ahhh… ele mal saberia que ela existia enquanto criatura amante e amável, afinal, era sua colega de teatro, representavam juntos, ensaiavam juntos, mas faziam parte de universos distintos…

Ainda que a menina fôsse tímida de ficar corada ao ter seu nome pronunciado em alto som, ela fazia o possível para realziar suas pequenas ambições amorosas… e assim, mais uma vez, ela o fez…

Mandou um cartãozinho mimoso, cheio de letrinhas românticas, com as idéias apaixonadas que lhe transitavam a cabeça e o coração… chamou o gato cabeludo e sereno, puxou-o pela mão, foram em passos rápidos até a coxia e tudo foi rápido: ela entregou o pequeno envelope verde, murmurou algumas palavras tão baixo que não foi ouvida nem por ela mesma, roubou um selinho do menino e saiu correndo, com o coração apavorado com a ousadia daquele ato…

Alguns dias se passaram…

Um novo ensaio, o rapaz cabeludo chama a garota para dar uma volta… o coração dela vai a mil… caminham sob o sereno daquele dia que, em excepcional caso, era frio e meio gotejado demais para um fim de primavera e quase verão… caminharam devagar… ele disse tudo… disse que achara o cartão um mimo… que gostava dela… como um amigo e nada mais, que poderia fazer? não podia mandar no próprio querer…ela apenas consentiu, mexendo de leve a cabeça… ela disse que era chegada a hora de partir… ele a abraçou com muita ternura e beijou doce e gentil o rosto dela… ela mergulhou naqueles olhos tão meigos… olhou e pediu que ele a beijasse de verdade… ele sorriu e a beijou com todo o amor que há nesse mundo… com todo o amor e carinho que pode caber no espaço tão singelo do beijar… ele a beijou… ela sorriu… findo o abraço, eles seguiram caminhos opostos… ele, pouco se sabe dele… ela, feliz e realizada… aquele tinha sido o primeiro beijo de toda sua vida…

3 pensamentos sobre “quase ficção n. 1

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