Ainda sobre o Aborto…

Na África do Sul, país sede da Copa do Mundo de 2010, o aborto é legalizado. Será que o Brasil poderia aprender isso como exemplo?

Direto desse blog fantástico da vitaminada Maíra Kubík Mano, do Viva Mulher. Que tal dar uma lida a seguir:

Aborto é legalizado na África do Sul

A África do Sul tem uma população de cerca de 50 milhões de habitantes; 40% deles vivem abaixo da linha de pobreza, com menos de US$ 1 por dia. Três de suas cidades – Joanesburgo, Ekurhulen e Buffalo City – encabeçam o ranking de piores distribuições de renda do mundo.

Ou seja, lá quem é rico é muito rico e quem é pobre é muito pobre. E como em todo país com realidade semelhante, o acesso ao sistema de saúde é algo que melhora conforme seu saldo bancário.

Mas ao menos no que diz respeito ao aborto, essa situação mudou desde 1996: foi aprovada então uma lei de descriminalização que permite às mulheres interromper voluntariamente a gravidez até a 20ª semana de gestação.

Antes da legalização, aproximadamente 200 mil abortos precários eram feitos anualmente no país, a maioria por mulheres negras e pobres, que resultavam em cerca de 45 mil internações por seqüelas e mais de 400 mortes. O Choice on Termination of Pregnancy Act permitiu reduzir em 90% as mortes maternas e teve como alvo as mulheres negras e pobres.

As restrições, ao que me parece, são bastante razoáveis. Até a 12ª semana, a interrupção da gravidez pode ser realizada independente da motivação. Da 12ª até a 20ª semanas é preciso que a mulher dê alguma justificativa de alterações em sua saúde física ou mental ou alegue problemas econômicos para que o Estado autorize o processo. Ainda nesse período, outros motivos considerados pertinentes são a gestação decorrente de incesto ou estupro – este último bastante freqüente na África do Sul, que conta com altos índices de violência – e problemas graves no feto.

É claro que, como já repeti inúmeras vezes aqui, o aborto não é uma solução fácil e muito menos pode ser usado como método contraceptivo. Mas é fato que a situação na África do Sul é complexa demais. Em um país onde o presidente Jacob Zuma já sofreu acusações de estupro e disse que é possível evitar a Aids com uma “chuveirada” após o sexo – sendo que 11% da população tem o vírus –, partimos de uma perspectiva bem difícil.

Somando-se a isso a pobreza em que vivem milhões de pessoas, sem acesso a luz elétrica e água encanada, percebe-se que a legalização do aborto é realmente uma questão de saúde pública. E que pelo menos nisso a África do Sul é um exemplo.

(…)

Enquanto isso, na nação verde-amarela, o PSEUDO-candidato a Presidente, Serra, escancara no Yahoo! a opinião-clichês mais do que esperada…

Serra: descriminalizar aborto liberaria “carnificina”

O candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, posicionou-se hoje contra a descriminalização do aborto. Para o tucano, a liberação promoveria uma “carnificina” no País. “Considero o aborto uma coisa terrível”, afirmou, em sabatina promovida pelo jornal “Folha de S. Paulo” e pelo portal UOL, na capital paulista. A legislação atual só permite o aborto em casos de estupro ou de risco de vida para a mãe.

Para Serra, a legalização do aborto prejudicaria programas de prevenção à gravidez indesejada. “Dificultaria o trabalho de prevenção, como no caso da gravidez na adolescência, que é um assunto muito grave. Vai (ter) gravidez para todo o lado porque (a mulher) vai para o SUS (Sistema Único de Saúde) e faz o aborto”, disse.

Apesar da posição conservadora a respeito do aborto, o candidato se disse favorável à união civil de homossexuais e à adoção de crianças por casais do mesmo sexo. “Tem tanto problema grave de crianças abandonadas no Brasil que, para elas, é uma salvação”, disse.

Ainda na seara de temas polêmicos, Serra colocou-se contra a descriminalização das drogas, contra a redução da maioridade penal e contra a pena de morte. Ele se disse a favor de cotas sociais no ensino superior, no lugar das cotas raciais.

Atraso

Serra admitiu ter um “problema com o relógio”. Ele chegou à sabatina com 44 minutos de atraso e disse ter perdido a hora ao analisar notícias do dia. “Eu detesto me atrasar. Isso posso dizer em minha defesa. Eu sofro também, como aqueles que esperam”, disse.

* * *

Sinceramente, discursos como o desse “cidadão” cansam pra BARALHO…

 

3 pensamentos sobre “Ainda sobre o Aborto…

  1. Oi, linda!!!

    Olha, eu estudei esse tema desde 2004 e não sabia sobre a descriminalização na África do Sul! Bom, infelizmente eu não escrevo mais sobre o tema (tive problemas durante meu mestrado e ao defender percebi que não sentia mais a mesma paixão – uma das doutoras da banca queria que eu publicasse meu capítulo sobre aborto e política no Brasil na revista Estudos Feministas – mas eu, realmente, não queria mais discutir o assunto).

    Isso ainda vai dar pano pra manga aqui, viu? vai demorar pra dedescriminalização e legalziação ocorrer!!!!

  2. Tem muita coisa envolvida, sabe? Muitos interesses, articulações…bancadas religiosas fazendo lobby…mulher, é um sufoco. E o “lobby do batom”? esse já ficou para trás, virou história!!!

    Beijos, queridona

    (amei suas palavras de incentivo, viu?)

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