Aborto e a droga das novelas brasileiras

Também poderia usar a palavra LIXO pra dizer o que senti quando exibiram o capítulo da tal novelinha-das-oito chamada Passione, da rede tucano-plim-plim de TV.

Na verdade, nem sei porque me surpreendi: na última novela do Manoel-escroto-Carlos, o assunto ABORTO foi tratado do modo clichê de sempre: a Helena tinha feito um aborto e a vida toda chorando, se martirizando, se culpando e TODO MUNDO condenando a “pecadora” pela escolha feita num passado. Escolha feita porque NAQUELE momento aquela foi a melhor decisão. MAS CLAAAAARO, Helena deveria ser crucificada, afinal esse é o senso-comum: condenar a mulher que faz um aborto. Sendo que essa condenação não resolve NADA. Isso sem mencionar o fato de que o aborto no Brasil representa uma das faces perversas da desigualdade econômica na medida em que as mulheres ricas-e-de-elite FAZEM ABORTO em clínicas de luxo ou VIAJAM DE PRIMEIRA CLASSE para os países onde elas possam fazer o aborto sem maior dor de cabeça. Já a mulher POBRE vai na “curiosa” e nos açougueiros-de-plantão.

Enfim… voltemos ao momento-estúpido da novela em questão:

A jovem apaixonada pelo ciclista-bombado-calça-colada transou com o dito e, claro, engravidou. Sozinha, como centenas de mulheres acabam nessa situação, foi recorrer a uma “curiosa”.

Situação patética que a criminalização do aborto impõe à mulher: NÃO quer seguir com a gestação, não tem qualquer sentimento ou ligação com o amontoado de células que se dividem dentro dela.

A guria descobriu a situação cedo, mas como AQUI é crime, foi pra curiosa. Não sei se ontem foi mostrado maiores detalhes acerca do tal “procedimento”. No capítulo exibido em 17/06/2010, a garota não acorda, é encontrada com hemorragia. A família a leva para o hospital, ela é internada e o estado é grave (deverto rolou uma perfuração, ou uma infecção). A família em desespero e chega o DOUTOR MÉDICO e OFF COURSE, lá vem  LIÇÃOZINHA ESCROTA DE MORAL:

“INFELIZMENTE CENTENAS DE GAROTAS ACABAM NESSA SITUAÇÃO POR UM MOTIVO: IRRESPONSABILIDADE. ELAS ENCARAM UMA RELAÇÃO SEM CUIDADOS E ACABAM DESSE JEITO. ELAS SABEM COMO EVITAR E NÃO FAZEM NADA.”

Palavras do DR-MÉDICO-MORAL-E-BONS-COSTUMES.

Eu, revoltada-em-pessoa, tenho uma palavra pra essas sábias palavras do médico:

C A R A L  H O !

Tipo, um assunto como o Aborto, que diz respeito às mulheres. ODEIO a impessoalização do Aborto quando se usa a palavra PESSOA como quem faz escolhe o ABORTO.

A impessoalização leva a um distanciamento do assunto, pois PESSOA é um termo neutro. PESSOA pode ser o morador no Cazaquistão, a cozinheira no Paraguai, a modelo canadense, a atriz francesa, a professora nigeirana, o padre panamenho. PESSOA não tem sexo. PESSOA não indica gênero e por isso mesmo OBJETIFICA quem faz a escolha pelo ABORTO. E OBJETOS não são sujeitos de Direito, antes estão À MERCÊ DO EXERCÍCIO DO DIREITO/DEVER ALHEIO. OBJETO NÃO ESCOLHE.

Voltando a novelinha-escrota-como-de-costume: falar de aborto com responsabilidade e sem moralismo é o tipo de coisa que eu NUNCA VI NA TV. Claaaaaro que as novelas são podres-etc-e-tal. O problema é que elas FORMAM A OPINIÃO DE MILHÕES DE PESSOAS.

E as palavras do personagem-médico só fizeram MAIS UMA VEZ, condenar a MULHER pelo exercício de sua sexualidade  e pelas conseqüências desse exercício. Fomentar conceitos patriarcais, machistas e misóginos.

A gravidez, no caso da novela, mostra claramente uma situação vivida por milhares de mulheres no Brasil: grávidas e sozinhas, porque naturalmente é fácil e socialmente tolerado ao homem simplesmente sumir no mapa quando o resultado do BetaHCG dá positivo.

Ah, mas claro, conforme o médico-moralista: AS MULHERES FAZEM FILHOS SOZINHAS.

INFERNO!

 

3 pensamentos sobre “Aborto e a droga das novelas brasileiras

  1. As novelas romanticas cumprem a sua função que é a de manter as mulheres o seu «devido» lugar e isso passa pelo controlo da sua sexualidade, daí a hipocrisia da criminalização do aborto em nome do sacrossanto valor da vida do feto. A retórica do costume. Obrigar a mulher a assumir uma gravidez indesejada é o meio mais seguro de lhe mostrar quão dependente e próxima ela está da natureza e como se distancia do homem. também convém mostra-lhe as consequencias se tiver a ousadia de desafiar essa lei natural.
    Por tudo isto, é pereciso lutar pela legalização do aborto em termos que a lei preveja e que garantam a saude e os dieitos reprodutivos das mulheres.
    abraço adilia

  2. VERDADE!!!!! aFFZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! COncordo eles somen no mundo, a culpa é claro da gente/!!!! fala seriooooooo!!!!!!!!!!! A medico retardado!!! por mais que tenham mudado a sociedade ainda é machista, Deus não Trata homen e mulher diferentee!! Somos todos iguais, que porcaria que lisho!

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