Controle dos Corpos (femininos)

No blog Mulher Alternativa, a Mari Moscou postou um texto bem instigante a respeito do controle dos corpos.

Ela deixou aberto o espaço nos comentários para que as idéias rolassem…

Como dona de cabelos cacheados e dotados de toda a personalidade desse mundo, aprendi a lidar com eles sem ter que domá-los. O processo de doma, tal qual realizada com animais, sempre implica em controlar a natureza do ser, em função daquilo que se pretende explorar desse ser.

Domar implica em subjugar, em controlar, em impor violência – se necessário – a fim de que a criatura desista de sua natureza mais íntima e morra. O processo de doma implica na morte subjetiva daquilo que naturalmente anima esse ser.

Pois bem, minha contribuição foi acerca dos salto altos, dos quais já havia falado antes nesse distinto sótão.

(…)

Podemos ver como o controle do corpo se dá de forma clara e socialmente aceita sobre o corpo da mulher (e nem vou entrar em discussões sobre aborto, o que tb seria um exemplo do controle social sobre o corpo feminino).

Faço minha análise a partir do uso dos sapatos de salto. Sapatos de homem não tem saltos.

Sapatos para mulher  tradicionalmente associam o salto à beleza e à feminilidade.

PORÉM, um salto alto, além de reforçar a idéia de que a mulher – mais especificamente seu corpo – é objeto de decoração, serve como elemento controlador do corpo feminino.

Uma mulher de salto alto não consegue andar rápido: isso significa que ela não consegue fugir das cantadas grosseiras a ela dirigidas, por conta da beleza concretizada com o salto alto – que alonga pernas e empina a bunda, para deleite exclusivo da platéia masculina.

A mulher de salto alto não consegue andar a pé grandes distâncias – ou até o faz, mas seu corpo, seus pés, pagarão com dores ao final da jornada em salto alto.

Pois, a mulher de salto não andará grandes distâncias, não andará rápido, terá tolhida a liberdade de seu corpo em se deslocar sem amarras.

Se a mulher quiser usar salto alto, será refém ou das dores ao fim do dia, ou será dependente de um carro para se deslocar (e como não se pode dirigir com salto, ou ela troca os sapatos dentro do carro ou – na maioria dos casos – ela conta com um homem que tenha carro que a conduzirá ao lugares necessários).

O salto alto é simplesmente uma arma de controle feminino disfarçado sob o viés de beleza e elegância que são sempre impostos à mulher como elemento concretizador de qualidades subjetivas enquanto pessoa humana – vale dizer, ela até pode ser inteligentíssima, articulada e pesquisadora, mas se a aparência não corresponder aos padrões socialmente impostos a ela, o caminho para o reconhimento será deverás árduo.

Mas ainda assim, vale a pena lutar por um pensamento diferente.

Pensamento diferente quer dizer estar ciente desse mundo construído com bases no patriarcado/machismo e, por mais dolorido que seja, entender que é possível mudar, a partir das pequenas atitudes, reflexões diárias…

Vivo meus cachos e minhas sapatilhas.

Um dia tentaram me domar… hoje sou livre… ou quase =)

Um pensamento sobre “Controle dos Corpos (femininos)

  1. “O salto alto é simplesmente uma arma de controle feminino disfarçado sob o viés de beleza e elegância que são sempre impostos à mulher como elemento concretizador de qualidades subjetivas enquanto pessoa humana – vale dizer, ela até pode ser inteligentíssima, articulada e pesquisadora, mas se a aparência não corresponder aos padrões socialmente impostos a ela, o caminho para o reconhimento será deverás árduo.”

    Este é o grande paradoxo, querida!!!! Até eu enfrento isso! Mas respeito minha colegas que gostam de andar na moda, de usar maquiagem, etc, desde que elas estejam realmente felizes e certas de que não precisam daquilo pra serem reconhecidas como pessoas competentes. Agora, se a mulher não consegue dar um passo pra fora da porta porque não está usando maquiagem, ou salto, ou bolsa chanel, aí sim é muito perigoso e frágil. Já vi amigas minhas que não iam ao mercado sem usar corretivo, base e sei lá mais o q.

    Mas eu tenho uma história interessante pra contar sobre maquiagem e feminismo. Vc me incentivou…vou escrever em um post, flor. Assim que der tempo (domingo é bem mais folgado pra mim…eu exijo o domingo de folga, hahahahaha)

    Beijos, queridona!
    Fer

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