Tragédia no Haiti, Zilda Arns e outras cositas más…

A tragédia natural que assolou o pequerrucho país mais pobre das Américas despertou a motivação dos países em ajudar. Causou tristeza igualmente, ante a morte de centenas de pessoas, em especial da brasileira Zilda Arns, missionária da Pastoral da Criança.

é…

apesar da gravidades desses dois acontecimentos, quero comentar duas questões relativas a cada um desses fatos: tragédia no Haiti e o trabalho de Zilda Arns.

Da tragédia no Haiti e a Solidariedade

NUNCA gostei muito da palavra Solidariedade. Sempre achei mais forte a honesta e efetiva o exercício da FRATERNIDADE.

Não é de hoje que o Haiti é o país mais pobre das Américas – e nem faço idéia qual seria sua colocação num ranking mundial de miséria. Pois bem. TODOS os países que agora estão enviando milhões para lá SEMPRE SOUBERAM da situação de miserabilidade e marginalidade extrema que assola esse país há um sem-par de anos.

BUT, agora os países mais ricos, num momento de SOLIDARIEDADE, estendem a mão para socorrer as ruínas do país arrasado pelo terremoto.

Sim, o pequeno páís está falido e destruído. Agora AJUDAR CÁI BEM!

Por que? Porque agoras os países que ajudam podem ser BONZINHOS E OH! “VAMOS AJUDAR O HAITI”.

Isso é só Solidariedade: o exercício de uma relação de poder em que um – o que está em condição material, emocional e moral superior – estende a mão àquele que está na condição fragilizada – material, moral, emocionalmente.

FRATERNIDADE é bem mais difícil que SOLIDARIEDADE.

FRATERNIDADE implica em aquele que ajuda realizar o ato de socorro não porque existe uma relação de poder, pautada pela desigualdade, e sim porque aquele que é auxiliado é visto e aceito e compreendido como um igual, como um ser humano, e, em sendo um ser humano, merece ter acesso às mesmas condições de vida  digna e oportunidades que aquele que presta ajuda.

Quem ajuda o faz porque se coloca em situação de igualdade humana e moral àquele que é socorrido. Por ser “irmão”, não pode aceitar que o “irmão” esteja em situação de tanta degradação.

O Haiti é um país miserável, pobre de doer. A média salarial lá é de 20 dólares! O que você faz com 20 d0letas por mês para viver? Não muita coisa, certamente. E o país foi o único cuja origem se deu através da luta de escravos pela independência. Escravos negros.

Ah!

Quem quer se igualar a um escravo? Melhor estender a mão e ajudar porque agora ele tem menos ainda. A manutenção do status quo do ex escravo negro…

(…)

Dona Zilda Arns.

Ela é irmã do Arcebispo-cardeal-Padre-Coroinha-sei-lá-o-que Dom Paulo Evaristo Arns. A Pastoral da Criança foi estruturada com auxílio da igreja Católica.

E Dona Zilda, além do trabalho realmente louvável que desenvolveu em prol das crianças mais pobres e miseráveis do mundo… era CONTRA TODO E QUALQUER MEIO DE CONTRACEPÇÃO. ERA VEEMENTEMENTE CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO.

Bom… como já disse, nao desmereço e reconheço a grandiosidade do trabalho que ela liderou durante todos esses anos à frente da Pastoral da Criança.

BUT

não posso silenciar ao trabalho PÉSSIMO que suas palavras realizaram contra a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis – especialmente a AIDS, claro – e contra, principalmente, o planejamento familiar.

Para mim, isso é um completo paradoxo: por um lado ela ajudava família pobres à dar nutrição adequada e acesso à saúde para as crianças dessa família. AO MESMO TEMPO, ela jamais daria uma orientação para aquela mãe de família -talvez já mãe de cinco, seis filhos – a escolher um método contraceptivo, que desse a ESSA MULHER MÃE DE FAMÍLIA autonomia sobre sua capacidade reprodutiva e assim, possibilidade de lutar por melhores condições de vida para os filhos que JÁ EXISTIAM.

Não… essa mulher pobre mãe-de-sem-número-de-filhos seria mais uma coelha a reproduzir anualmente e dona Zilda, através do belo trabalho realizado pela Pastoral, iria indicar sempre a multi-mistura como suplementação da alimentaçao da mãe e da futura criança.

A mulher JAMAIS TERIA AUTONOMIA REPRODUTIVA, pois estaria dando seguimento ao dizer bíblico “cresce e multiplica”.

Ao invés de planejar a família,  evitando efetivamente a inclusão de novos filhos ao já formado lar pobre, a visão romântica do preceito católico apenas asseguraria o dizer “onde come dois, comem três”.

Não! Onde comem dois pobres, comeram menos ainda seis pessoas. Seus estômagos roncaram. Não haverá nutrientes para a formação devida do cérebro dos pequenos. Baixa capacidade intelectual. Crianças com desempenho ruim na escola – isso SE conseguirem ir para a escola. E assim se repete o ciclo da pobreza.

Sim… dona Zilda fez belo trabalho, mas do mesmo modo, tratando as pessoas pobres de forma solidária e nunca fraterna…

(…)

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