Dama do 27

há tempo havia a vontade, e não havia a resposta…
Ela caminhava sem pressa, sem pensamentos.
Tinha trinta e poucos anos, cabelos pretos, bolsa estranha e sapatos gastos.
Caminhava por entre os becos daquela cidade que tinha cheiro de peixe e fumaça do cais.

Os passos antes lentos resolveram se agitar quando avistou certo número na parede do prédio antigo. 27.

Aquele prédio branco, dois andares, sacada antiga, cortinas rendadas. Seu pensamento partiu e não conseguiu segurá-lo….

As calçadas estava úmidas, a luz besta do lampião amarelava os ladrilhos…
Havia pouco a garoa fina derrama do céu gotas e gotas.

Ele caminhava apressado, o coração assustado, ansioso. Ela era a dama mais cobiçada e mais exigente que aquela sociedade conheceu.
Sinistramente bela, era dona de um sorriso mortal, olhos que liam as mentes, corpo quente, mãos experientes, pele e carnes apimentadas.
Deslizava feito ninfa quando adentrava as casas de chá e os salões de festa, causando deslumbramento em todos os homens e temor nas recatadas senhoras e moças de família.

Ela personificava os pecados, se é que existia pecado.

Ela fazia o que bem queria, tinha todo o poder que havia nessa vida…

Um pensamento sobre “Dama do 27

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