Manhã de segunda

O ônibus seguia lotado.

Sistema de transporte bem “modernoso” (hoje, contando com a experiência do local onde moro, tenho que admitir que o transporte lá É muito bom)…

Os ônibus eram grandes tais quais trens, literalmente falando e não usando uma hipérbole mineira…

E os pontos de coleta humana, em suas linhas principais são tubos de vidro intergaláctico, aço e borracha, nuances bem futuristas, decerto nem Isaac Asimov teria concebido tal cenário para histórias de ficção que o eternizaram.

E o ônibus seguia lotado… Gente se apertando, esfregando partes nas partes, mãos nas partes, partes nas mãos… pior era o inconfundível cheiro que pigmentava a viagem. Uma cinzenta mistura de Rexona de semana passada com 10h07min de trabalho sob um sol calorento, andando de lá para cá, com pastas e produtos, documentos e promissórias vencidas.

Passos sem fim nas ruas, avenidas em mais um dia quente, poeirento, poluído, cheio de fumaça, suor… quem sabe uma cerveja no fim do dia.

E o ônibus seguia cheio, de gente, suor, mormaço, criança comendo cheetos (urgh sabor-cheiro blergh), enjôo…

Um senhor, por volta de seus 70 anos estava devidamente sentado no aconchego do ônibus, carrega umas 30 sacolonas… exageros à parte, deveria ser algo como 05 sacolas grandes, brancas, azuis, cheias de coisas que não podiam ser descobertas, apesar de os envoltórios serem translúcidos eram estupidamente eficazes contras olhares bisbilhoteiros.

O respeitável senhor resolve se levantar e se dirige, com a devida dificuldade, até a porta, estava chegando seu desembarque.
Arrasta daqui, sacolas cheias se esfregando nas partes dos outros passageiros Chega enfim até a porta, ou quase.

Estava há 04 pessoas da porta, distância relativamente grande, levando-se em consideração a agilidade no deslocamento do ancião.

Ônibus pára. Um voz feminina, numa gravação que anima o trajeto, ultra-educada, insiste em dizer, inutilmente: “Aguarde sempre o desembarque…”

A plataforma encosta na plataforma do tubo interestelar.
O senhor cheio de sacolas vai passando, vai driblando as pessoas restantes, chega até a porta, atravessa, mas as bagagens não são tão ágeis.

Quando a sacola retardatária vai atravessar a porta, o motorista aciona o mecanismo fecha a porta. Momentos de tensão. O velho do lado de fora, grita. Nada da porta abrir. O ônibus não anda. Um alguém, ou preocupado com o velho ou angustiado com o eminente atraso em andamento, grita para o motorista:

“Abre a porta, motorista, que o homem ficou com o saco preso”

O povo mais ri do que se desespera com a desgraça alheia… tenta imaginar a posição kama-sutra que tornou tal feito passível de ser realizado…

O reflexo do condutor do veículo coletivo é rápido.
Só balbucia.

“Caralho! Matei o homem”

Um pensamento sobre “Manhã de segunda

  1. aheuhauheuahuehauhueauheuah haauheuahuehauheuhaueua vou morrer de rir!!!
    coitado do velho!!!!
    ei, adorei o seu “tubo interestelar” hauehuaheuauehauheuhauehuaheu
    também adorei o cheetos sabor-cheiro!!!

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