Ovos Poché… Poached…

Eier

algumas conversa não são esquecidas,  por maior que seja o espaço de tempo que se entrelaçe antes e depois das conversas…

e aquela foi uma conversa antiga, além dos dez anos já haviam passado…

cada uma de nós não era a mesma…

mas aquele breve trocar de palavras, revelação tão breve de uma angústia pessoal acompanhou meus pensamentos tempos a fio…

seu pai tinha um problema renal e não comia – não era permitido a ele – comer ovos fritos… e suas palavras foram, mais ou menos assim “meu pai não pode comer ovos fritos em óleo, somente ‘frito’ na água”…

naquele tempo, nem desconfiava eu do universo da culinária além das janelas da cozinha de mamãe, embora já fôsse apaixonada – desde sempre – pela interação de panelas, ingredientes e temperos…

e a curiosidade sempre me apeteceu “como seria feito o tal ‘ovo frito’ na água?”

e o tempo passou… muito ou pouco por sinal…

e descobri o tal ovo, que carregava nome lindo, das terras além mar, vizinha da pátria próxima…

emocionada, lembrei imediatamente de seu pai… e lhe escrevi, um tanto receosa, naquele dia frio de julho… receio por saber que minha mensagem traria talvez lágrimas… seu pai já não estava mais aqui…

“Sabe, M…
 
tem uma coisa que eu queria te falar já faz um tempão…
 
Há milhares de anos atrás, quando conversávamos sobre assuntos que já não recordo, e você falou do seu pai…
 
Você disse que ele só comia ovos “fritos em água”…
 
Sabe que eu nunca me esqueci disso?
 
Não sei, isso foi tão marcante pra mim – por motivos que confesso não saber…
 
Desde aquela vez, sempre que eu fazia ovos, eu me lembrava dos ovos que seu pai gostava e eu sempre pensava “como será que eram feitos???”
 
e agora eu já sei! Acho que os ovos que ele gostava eram ovos poché, assim, cozidos lindamente em água!
 
Eles se tornaram meus favoritos e sempre que eu os preparo, mando mentalmente boas vibrações e carinho para seu pai, aonde quer que ele esteja – e apesar de eu nunca tê-lo conhecido…
 
não sei, só queria dividir isso com você!”

(…)

e, às vezes, a vida é feita de recordações de pessoas que não conhecemos…

e essas recordações podem também guiar os atos para uma refeição a ser servida e degustada, com e por Amor…

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